Pular para o conteúdo
Candidatar empresaCandidatar
Menu

Ciclo de vendas B2B: como medir e como encurtar

Renan Goulart · Publicado em · Atualizado em · 14 min de leitura

Linha do tempo de um negócio B2B: poucos blocos amarelos de trabalho separados por longos trechos de espera. Título: O ciclo de vendas é feito de espera.

Ciclo de vendas B2B é o tempo entre o início de uma oportunidade e o fechamento do negócio. Calcula-se pela média, ou melhor, pela mediana, dos dias entre a criação do negócio no CRM e a data em que ele foi ganho. O número sozinho diz pouco: o que mostra onde agir é o tempo de cada etapa, porque quase todo o ciclo é espera entre um contato e outro, não trabalho no negócio. Este guia mostra como medir o ciclo do jeito certo, onde o tempo se perde e o que encurta o ciclo sem pressionar o cliente.

O que é ciclo de vendas, e o que ele não é

Ciclo de vendas é uma medida de tempo. Funil de vendas, ou pipeline, é a sequência de etapas pelas quais o negócio passa. Os dois andam juntos: o ciclo é a soma do tempo que o negócio fica em cada etapa do funil.

Em venda complexa, aquela com ticket alto, mais de um decisor e compra planejada, comum em indústria, distribuição e software B2B, o ciclo costuma ser de semanas ou meses. Não existe um ciclo "certo" de mercado: ele depende do ticket, de quantas pessoas participam da decisão, do segmento e de como a sua empresa conduz cada etapa. Por isso a comparação que vale é a da sua empresa com ela mesma, mês a mês.

E vale medir porque ciclo custa dinheiro. Na aula para os vendedores de um cliente, Renan Goulart põe o ciclo entre os números de cada closer pelo mesmo motivo: "quanto maior é o ciclo de vendas, maior é o custo de aquisição desse cliente". Cada semana a mais é salário, reunião e follow-up gastos no mesmo negócio.

Como calcular o ciclo de vendas

A conta básica é simples:

Ciclo de vendas = soma dos dias entre a criação e o ganho de cada negócio ÷ número de negócios ganhos no período.

O que decide se o número serve para alguma coisa são quatro escolhas:

  • De onde começa a contar. O mais comum é a data de criação do negócio no CRM. Se a pré-venda trabalha o lead antes de virar negócio, meça as duas partes separadas: tempo de pré-venda (do primeiro contato até a reunião) e ciclo de venda (da reunião até o fechamento). Juntar as duas esconde onde está a demora.
  • Média ou mediana. Em B2B, poucos negócios muito longos puxam a média para cima. A mediana, o valor do meio quando os negócios são ordenados do mais curto ao mais longo, mostra melhor o negócio típico. Acompanhe as duas: se a média é muito maior que a mediana, há um grupo de negócios arrastados que merece análise própria.
  • Ganhos e perdidos separados. O ciclo dos ganhos mostra quanto tempo leva para vender. O tempo dos perdidos mostra quanto tempo o time gasta com quem não compra. Se os perdidos ficam abertos muito mais tempo que os ganhos, o time está insistindo em negócio morto.
  • Por segmento, origem e tamanho. Indicação, prospecção ativa e carteira têm ciclos diferentes, assim como contas pequenas e grandes. Um número único mistura tudo e não ajuda a planejar.

Na Behind, a conta é feita no CRM: quando a negociação começa, começa a contar o tempo. Numa venda da própria Behind, o ciclo foi de 12 dias, contados da primeira conversa do pré-vendedor com o cliente até o início do trabalho. É esse tipo de número, medido negócio a negócio, que vira a média da operação e mostra quanto tempo dá para investir em cada oportunidade.

Para começar, use os negócios ganhos dos últimos seis a doze meses. Se forem poucos, use todos os que tiver e refaça a conta a cada trimestre.

O ciclo é feito de espera, não de trabalho

Exemplo hipotético: os números a seguir são ilustrativos e não representam nenhuma empresa real nem uma referência de mercado.

Uma distribuidora fecha um pedido 66 dias depois da primeira reunião. Olhando o histórico do negócio, o trabalho de fato foi pouco: a primeira reunião, o diagnóstico, a montagem da proposta, uma rodada de ajustes e o pedido. Somando, seis dias. Os outros 60 foram espera: esperar a reunião com quem decide, esperar a proposta ficar pronta, esperar o cliente responder o e-mail, esperar a aprovação interna.

O ciclo de vendas é feito de espera

Em amarelo, os dias em que alguém trabalha no negócio. O resto é espera. Troque o jeito de terminar cada contato.

66dias de ciclo

6dias de trabalho no negócio

60dias de espera

  1. Primeira reunião1 dia
  2. Esperando o diagnóstico com quem decide14 dias
  3. Diagnóstico1 dia
  4. Esperando a proposta ficar pronta7 dias
  5. Proposta montada e enviada por e-mail1 dia
  6. Esperando o cliente responder21 dias
  7. Ajustes e negociação2 dias
  8. Esperando aprovação interna18 dias
  9. Pedido1 dia
Ilustração com números hipotéticos, os do exemplo do guia. O trabalho é o mesmo nos dois casos; o que muda é a espera entre um passo e outro.

É por isso que "vender mais rápido" quase nunca significa trabalhar mais rápido. O ciclo encurta quando a espera encurta, e a espera encurta quando cada contato termina com o próximo passo combinado: data, participantes e o que vai acontecer. "Fico no aguardo" é o começo de uma espera sem fim definido.

Na Behind, isso é regra escrita: o vendedor não sai da reunião sem o próximo passo agendado com o cliente e registrado no CRM. Não é cortesia, é o que impede o negócio de cair num trecho de espera sem data.

Onde o tempo se perde: o tempo de cada etapa

O ciclo total diz se você está mais rápido ou mais lento. O tempo por etapa diz onde agir. Com o processo registrado no CRM, calcule quantos dias, em média, os negócios ficam em cada etapa, e compare com o que seria razoável para aquela etapa. Os padrões mais comuns:

Onde acumulaO que costuma serO que fazer
Entre o lead chegar e o primeiro contatoDemora para responder; o lead esfria antes da conversaPrazo máximo de retorno ao lead e alguém responsável por ele
Entre a primeira conversa e o diagnósticoReunião marcada com quem não decide; o decisor entra tardeQualificar quem participa da decisão e trazer essa pessoa para o diagnóstico
Entre o diagnóstico e a propostaProposta feita do zero a cada vez; informação faltando do diagnósticoModelo de proposta e diagnóstico com roteiro que já colhe o que a proposta precisa
Depois da propostaProposta enviada por e-mail, sem reunião de apresentação; o cliente someApresentar a proposta em reunião e sair dela com o retorno marcado
Na negociação e aprovaçãoNinguém sabe quem aprova nem quando; aparece um decisor novo no fimMapear no diagnóstico como a compra é aprovada, por quem e em que prazo

O primeiro trecho é o mais barato de cortar. A regra que Renan Goulart ensina: se o cliente chamou no WhatsApp, a ligação sai em até cinco minutos; se escreveu por e-mail, a resposta sai em até uma hora. "Passou uma hora, duas horas, pode ser que você nunca consiga falar com esse cara." E responder pedindo para mandar o orçamento por mensagem, sem conversa, costuma encerrar a venda ali.

Os negócios parados merecem um relatório próprio: os que estão numa etapa há muito mais tempo do que o normal para ela. Negócio parado muito além do tempo normal raramente fecha sem que alguém faça algo diferente. Na reunião semanal de pipeline, ele é o primeiro da pauta.

O que encurta o ciclo de vendas

Qualificar cedo, inclusive o prazo

Parte do ciclo longo é negócio que nunca ia fechar e ficou aberto. Qualificar cedo significa confirmar, antes de investir tempo de vendedor, que a empresa está no perfil de cliente ideal, que o problema existe e que há um motivo para resolver agora. Quando o cliente não tem prazo nem motivo, o negócio pode ser bom, mas não é deste trimestre: vai para nutrição, não para o funil do vendedor.

Na aula sobre perfil de cliente ideal, o primeiro sintoma de quem não tem esse perfil definido, segundo Renan Goulart, é justamente este: "o meu ciclo de vendas é muito longo e é imprevisível". O ciclo longo muitas vezes nasce na lista, antes da primeira ligação.

O prazo também é pergunta de qualificação. Num exemplo que ele usa em treinamento: se o cliente tem uma auditoria em outubro e a conversa é em agosto, há quase dois meses para fechar, e depois disso, ou ele resolveu com outro fornecedor, ou passou pela auditoria sem resolver. O motivo que o cliente deu na qualificação vira o assunto do follow-up, em vez de "passando para saber se você viu a proposta".

Diagnóstico com quem decide

Diagnóstico é a reunião em que o vendedor entende a situação do cliente, o problema, o impacto e como a compra será decidida. Fazer o diagnóstico só com quem não decide garante uma segunda rodada, semanas depois, com o decisor. Pergunte cedo quem mais participa da decisão e convide essas pessoas para a conversa certa.

Na Behind, a pré-venda só agenda a reunião quando quem decide vai estar nela. E quando o contato não responde, a regra da aula de cadência vale também no meio da venda: "três toques sem resposta não é sinal de insistir mais, é sinal de que você pode estar falando com a pessoa errada". O passo seguinte é abrir outro contato na mesma empresa, não mandar o quarto e-mail.

Todo contato termina com o próximo passo agendado

É a mudança mais barata e a que mais mexe no ciclo. Antes de desligar ou sair da reunião, combine o próximo passo com data e hora, e registre no CRM como próxima atividade. Negócio sem próxima atividade é negócio esfriando, e o gestor deve conseguir listá-los a qualquer momento.

Proposta apresentada, não só enviada

Proposta enviada por e-mail sem conversa é onde mais se perde tempo: o cliente lê sozinho, encaminha para alguém que não esteve no diagnóstico e responde quando der. Apresentada em reunião, a proposta recebe as objeções na hora, e o retorno sai combinado.

Pior ainda é a proposta mandada para quem não decide. O analista leva o número ao dono, que não esteve na conversa e não viu o valor da solução, e a única coisa que sobra para comparar é o preço.

Conhecer o caminho da aprovação

Em empresa média e grande, a compra passa por mais de uma pessoa: técnico, financeiro, diretoria, às vezes compras. Pergunte no diagnóstico como uma compra desse tamanho é aprovada, quem assina e qual o prazo. Com isso, a negociação deixa de ser surpresa e o vendedor consegue preparar o que cada aprovador precisa ver.

O "preciso ver com o meu sócio" é o "vou pensar" do B2B. No treinamento de um time de vendas, Renan Goulart responde assim: isolando o sócio, de zero a dez, o quanto você está fechado com essas condições? Se a resposta é oito, o que falta para ser dez? Isso traz a objeção real para a mesa. E o próximo passo sai amarrado: quando você vai conversar com o seu sócio, e quando falamos de novo?

O que só parece encurtar

Desconto por prazo, pressão para fechar no fim do mês e pular o diagnóstico podem antecipar um pedido, mas costumam cobrar a conta depois: margem menor, cliente que aprende a esperar o fim do mês e venda para quem não tinha o problema. O objetivo é tirar a espera do caminho, não apressar o cliente.

Encurtar não é o mesmo que insistir sem critério. Nas ligações reais de prospecção analisadas numa aula da Behind, uma venda levou cerca de treze tentativas em três semanas, porque o decisor só aparecia uma vez por semana. Em outra, a pessoa pediu para falar depois do dia quinze; o SDR voltou depois do dia quinze e saiu a reunião. A data que o cliente dá é um próximo passo como qualquer outro: entra na agenda e é cumprida.

Ciclo de vendas e meta: o atraso que pega o gestor

O ciclo é também o atraso entre o que o time faz e o que aparece no faturamento. Com ciclo de 60 dias, as reuniões deste mês viram pedido daqui a dois meses. Quem só olha faturamento descobre o problema quando já não dá para salvar o mês.

Na prática, isso muda duas coisas. A meta de atividade precisa começar antes do mês da meta de faturamento, e a reunião semanal deve olhar o pipeline que vai fechar nos próximos meses, não só o resultado do mês. O guia de indicadores comerciais B2B mostra como desdobrar a meta considerando o ciclo.

A frequência com que o gestor olha o funil também conta. No método que Renan Goulart passa para gestores, a leitura do CRM acontece duas ou três vezes por semana, com direcionamento para cada vendedor, além da reunião semanal de resultado. Num funil lido uma vez por mês, o negócio parado só aparece quando já perdeu o momento.

E na carteira de clientes?

Para indústrias e distribuidores, boa parte do faturamento vem de clientes que já compram. Ali, a medida parecida com o ciclo é o intervalo entre compras: de quanto em quanto tempo cada cliente costuma comprar. Quando um cliente passa muito do intervalo dele sem comprar, é sinal de risco, e a reativação tem o próprio processo. O guia de gestão de carteira de clientes B2B trata disso.

Como acompanhar o ciclo no CRM

  1. Etapas iguais às do processo. O tempo por etapa só faz sentido se cada etapa tiver critério de entrada claro. O guia de processo comercial B2B mostra como definir esses critérios.
  2. Datas confiáveis. Negócio criado no dia do primeiro contato real e movido de etapa no dia em que o critério foi cumprido. Mover em lote no fim do mês destrói a medida.
  3. Próxima atividade obrigatória. Todo negócio aberto com um próximo passo agendado.
  4. Relatório de tempo por etapa e de negócios parados. A maioria dos CRMs tem relatórios de duração e de evolução dos negócios entre etapas. No Pipedrive, o guia de implantação de Pipedrive mostra como organizar o funil para isso.
  5. Follow-up cumprido. Entre os indicadores do vendedor, Renan Goulart inclui o follow-up bem-sucedido: "eu marquei de te ligar na quinta-feira às catorze horas. Eu consegui de fato fazer isso?" Um horário fixo no dia só para retornos e confirmações de reunião ajuda a cumprir.
  6. Motivo de perda em lista fechada. "Sem resposta" alto depois da proposta é sinal de ciclo travado na mesma etapa.

Checklist: você sabe onde o seu ciclo perde tempo?

Checklist · marque o que a sua empresa já tem

0 de 7 · Marque os itens para ver o resultado.

Erros comuns ao medir e encurtar o ciclo

  • Medir só a média. Um punhado de negócios arrastados distorce o número. Olhe a mediana e os negócios parados.
  • Contar a partir do fechamento. Negócio criado no CRM só quando o cliente já disse sim dá um ciclo curto e falso.
  • Usar ciclo "de mercado" como meta. Números genéricos raramente têm fonte confiável e quase nunca se aplicam ao seu segmento e ticket. Compare a sua empresa com ela mesma.
  • Querer encurtar apressando o cliente. Pressão e desconto trocam ciclo por margem. Tire a espera do caminho.
  • Deixar negócio morto aberto. Negócio que não anda há meses infla o pipeline e o ciclo. Feche como perdido, com motivo, e volte a falar com o cliente na hora certa.

Quando esse modelo não se aplica

Em venda transacional, de ticket baixo e decisão no mesmo dia, o ciclo é curto por natureza e o foco é volume e conversão. No outro extremo, empresas que fecham poucos contratos grandes por ano têm amostra pequena demais para médias: ali, acompanhe cada negócio pelos marcos da decisão (decisor mapeado, aprovação técnica, orçamento confirmado) em vez do tempo médio.

Como a Behind faz isso

Na Behind Growth, o ciclo de vendas aparece no raio X da operação, junto com a conversão por etapa, a partir dos dados do CRM do cliente. A partir dele, definimos com a liderança os critérios de cada etapa, o roteiro de diagnóstico, a regra de próximo passo e o ritual semanal de pipeline. Os detalhes estão em estruturação comercial.

Perguntas frequentes

O que é ciclo de vendas?

É o tempo entre o início de uma oportunidade e o fechamento do negócio. Em B2B, costuma ser medido em dias, da criação do negócio no CRM até a data em que ele foi ganho.

Como calcular o ciclo de vendas?

Some os dias entre a criação e o ganho de cada negócio fechado no período e divida pelo número de negócios. Calcule também a mediana, separe ganhos de perdidos e meça o tempo de cada etapa para saber onde agir.

Qual é o ciclo de vendas médio no B2B?

Não existe um número confiável que sirva para todos. O ciclo depende do ticket, do número de decisores, do segmento e do processo da empresa. A referência útil é o seu próprio histórico, comparado mês a mês.

Como reduzir o ciclo de vendas?

Reduzindo a espera entre um passo e outro: qualificando cedo, fazendo o diagnóstico com quem decide, terminando cada contato com o próximo passo agendado, apresentando a proposta em reunião e conhecendo o caminho da aprovação.

Ciclo de vendas longo é ruim?

Não necessariamente. Venda de ticket alto, com vários decisores, tem ciclo longo por natureza. O problema é o ciclo mais longo do que precisa, com negócios parados por falta de próximo passo.

Qual a diferença entre ciclo de vendas e funil de vendas?

O funil é a sequência de etapas pelas quais o negócio passa. O ciclo é o tempo que o negócio leva para percorrer essas etapas, do início ao fechamento.

Continue lendo

Próximo passo

Conte como
o seu comercial
funciona hoje.

A candidatura leva poucos minutos. Ela abre a conversa com a equipe da Behind e ainda não é um compromisso.